Sobre a mostra

MALEMBE MALEMBE é uma expressão da língua Nfiote falada por pessoas da etnia Bantu, província de Cabinda, norte de Angola, e significa “de vagar e sempre se vai ao longe”.

Este projeto foi uma iniciativa do estudante angolano Tiago Bassika Nzovo que logo encontrou o apoio de professores africanistas das universidades e de pesquisadores filiados a núcleos de pesquisa sobre África em Florianópolis.

Esta é a terceira edição do projeto. A primeira aconteceu em 2007 agregando pesquisadores do grupo de pesquisa “Poéticas do Urbano”, coordenado pela professora Dr.ª Celia Antonacci do PPGAV/UDESC; do Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem do PPGAS/UFSC, especialmente o mestrando Marcelo Souza Ribeiro e do bacharel em filosifia Dilton Rufino; da ASSEC Paulo Freire, represntada pela professora Dr.ª Marta Santos Holanda Lobo. A segunda edição, 2008, aconteceu integrado à programação da Semana da Consciência Negra e com apoio da COPIR – Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para a promoção da igualdade racial da Prefeitura Municipal de Florianópolis, sob a responsabilidade da professora Dr.ª Marta Santos da Silva Holanda Lobo, em parceria com o projeto “Poéticas do Urbano”, coordenado pela professora Dr.ª Celia Antonacci do PPGAV/UDESC. Esta terceira edição, ampliada para um mini-curso, MALEMBE MALEMBE – Cinema Africano em debate, com a temática do tabu à represetação: corpo e sexualidade feminina nos cinemas negro-afiricanos e do magreb, é uma parceria do projeto “Poéticas do Urbano”, coordenado pela professora Dr.ª Celia Antonacci do PPGAV/UDESC e do NEAB/UDESC, coordenado pelo professor Dr. Paulino de Jesus Cardoso, da FAED.

Três objetivos fundamentais motivam a continuidade deste projeto. Primeiro, a ênfase política conquistada por estudos africanos pelo reconhecimento oficial de culturas africanas na constituição de culturas brasileiras, Lei 10639/2003, do Governo Federal, e por intercâmbios educacionais daí emergentes, haja vista o quantidade de estudantes africanos de língua portuguesa em Florianópolis;  segundo, divulgar o cinema africano entre nós, e terceiro, repensar, a partir do cinema, o conceito de cultura, arte e teoria estética.

A questão hoje de como vivemos a diversidade tem ressonância na valorização de textos artísticos de outras culturas. A aceitação do outro passa, necessariamente, pela aceitação de sua estética, cultura e conhecimento de suas história e política. Uma redefinição de nosso conceito de nacionalismo e de arte deverá inegavelmente reconhecer em primeiro lugar a diversidade humana e suas não menos diversas formas de concepção, significação, representação e apresentação estética, históricas e das produções culturais, sejam elas através textos escritos, sons ou imagens. Além disso, reconhecer que nossa transformação estética, cultural e histórica se deu a partir do encontro ou do confronto com outras culturas classificadas arbitrariamente e reconhecidas como estrangeiras. E mais, estar cientes de que as inovações estéticas, tecnológicas e cientificas são possíveis exatamente no confronto das culturas.

O mini-curso pretende contrapor ideais e discutir Malembe Malembe as melhores práticas para aproximar culturas.

Os filmes fazem parte de uma seleção de documentários e filmes de ficção do acervo CINEFRANCE gentilmente cedidos pela Aliança Francesa, com sede no Rio de Janeiro, e pela Casa das Áfricas, com sede em São Paulo.

O ministrante do curso é o professor Dr. Mahomed Bamba, da Costa do Marfim. O professor é doutor em comunicação, área de cinema, pela USP, SP. Atualamente Mahomed Bamaba é professor titular da Universidade da Bahia.

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